Como pensar com os pés?

Práticas curtas que devolvem corpo ao pensamento e chão às escolhas.

Como pensar com os pés?

Um programa de Feldenkrais para ganhar corpo enquanto pensamos e agimos

Existe um jeito de pensar que acontece só “da cabeça para cima”. E existe um jeito de pensar que acontece com o corpo inteiro — com o chão participando, com o peso se organizando, com o respirar ajudando, com os pés informando.

Como Pensar com os Pés? nasce desse segundo caminho: o de devolver ao pensamento a sua dimensão viva, corporal, sensorial. Não como um exercício de “estar presente” por obrigação, mas como uma atualização concreta do seu modo de se orientar no mundo: ganhar corpo para pensar melhor, agir com mais clareza e sustentar a vida com mais recursos.

Hoje, muita coisa facilita a vida… e ao mesmo tempo nos treina a esquecer o corpo. A cadeira permite passar horas pensando sem que os pés precisem realmente participar. O calçado e o piso “padronizado” tornam o caminhar eficiente, mas às vezes sem conversa com o chão. Aos poucos, o corpo vira suporte automático — e o pensamento vira uma atividade isolada, desconectada do que nos mantém de pé.

Mas os pés são um dos nossos principais pontos de contato com o mundo. Eles não são só “base”: são um campo de percepção. Quando essa percepção acorda, muda a forma como você se equilibra, se move, respira, decide, trabalha, caminha, fala. E algo sutil acontece: o pensamento volta a ter chão. Volta a ser uma inteligência em movimento.

É aqui que o Método Feldenkrais entra como ferramenta central. Porque ele não propõe esforço nem correção. Ele cria condições para o sistema nervoso aprender de forma orgânica: refinando sensações, ampliando repertório, integrando partes e devolvendo liberdade. Em vez de “consertar”, o Feldenkrais organiza. Em vez de impor forma, ele melhora função. Em vez de pedir controle, ele oferece descoberta.

Como funciona o programa

1) 5 Gotas por semana (5–15 min)

Práticas curtas em áudio, conduzidas por diferentes educadores, para que a investigação caiba na rotina. Cada gota é pequena — mas precisa. Um convite frequente para você reaprender a perceber, com leveza e curiosidade.

2) Encontro semanal ao vivo (30 min), conduzido pelo Fabiano Gonçalves

Terças às 08:00

Um momento de integração: costurar as experiências da semana, aprofundar princípios, responder perguntas e transformar a prática em algo que atravessa o cotidiano — não como “treino”, mas como modo de viver mais acordado.

3) Uma região do corpo em destaque a cada mês (sem separar o corpo)

Apesar dos pés estarem no título, a cada mês focamos uma região específica: pés, pelve, coluna, caixa torácica, mãos, mandíbula…
A ideia não é fragmentar. É iluminar. Dar luz sensorial a um território para que ele passe a fazer parte do seu modo de pensar, agir e se organizar. Cada região destacada vira uma nova porta de entrada para o corpo inteiro.

4) Anatomia íntima: ver + sentir + reconhecer

Além das práticas, o programa inclui:

  • vídeos simples mostrando a anatomia óssea da região do mês (para inspirar a imaginação);

  • um caminho de anatomia vivencial, aprendida por dentro: imagens como mapa, práticas como investigação, sensação como conhecimento.

É uma anatomia que não fica só na mente: ela vira intimidade. Vira referência real na sua autoimagem.

Conheça os educadores e condutores das práticas

  • Fabiano Gonçalves (Coordenador)

    Arquiteto, artista, educador somático pelo Método Feldenkrais, e terapeuta do movimento.

    "Feldenkrais, pra mim, é uma linguagem viva de estar no mundo — um modo de me mover com presença e me refazer em cada gesto."

  • Gabriela Costa Braga

    Mãe, agricultora, permacultora, educadora somática pelo Método Feldenkrais, terapeuta integrativa e artista da vida.

    "Feldenkrais, pra mim, é o cultivo de valores essenciais — presença, curiosidade, respeito — vividos no corpo a cada prática, como quem rega um jardim de si."

  • Ivani Ferreira

    Psicoterapeuta especializada em trauma e educadora somática pelo Método Feldenkrais.

    "Feldenkrais abriu caminhos de percepção profunda — uma escuta sensível que transforma o modo de viver, sentir e cuidar de si e do outro."

  • Marcelo Perim

    Médico homeopata, Gestalt-terapeuta e educador somático pelo Método Feldenkrais.

    "Feldenkrais me faz sentir mais vivo. Um método gentil que revela, a cada prática, a inteligência do corpo com sua capacidade de reorganização."

  • Ana Bento

    Escritora, artista e educadora somática pelo método Feldenkrais

    "Sempre tive minha poética ligada às artes do corpo. O Feldenkrais validou minha pesquisa, mostrou o quanto a cultura é 'introjetada' na forma como nos movemos, e com essa percepção, escolhi formas mais gentis de viver."

Por que as práticas são em áudio?

No Método Feldenkrais, a aprendizagem acontece de dentro para fora. As práticas são conduzidas apenas pela voz, sem demonstrações visuais, para convidar você a um mergulho profundo na sua própria experiência.

Mesmo nas aulas presenciais, quem conduz a prática não demonstra os movimentos – e isso tem um sentido profundo. Em vez de copiar um modelo externo, você é convidado a escutar, sentir e interpretar os movimentos no seu próprio corpo. Esse processo elimina o julgamento de "certo e errado" e abre espaço para um aprendizado orgânico, respeitoso e autêntico.

Ao traduzir palavras em movimento, seu sistema nervoso trabalha de forma integrada, conectando percepção, intenção e ação. Esse é um dos princípios fundamentais do Método Feldenkrais: trazer mais clareza e liberdade ao seu corpo através da experiência direta, sem intermediários, sem padrões a imitar – apenas você e seu próprio processo de descoberta.

Coloque os fones ou deixe o áudio tocar no ambiente e permita-se experimentar. O aprendizado está no sentir.

Uma floresta que se move gota a gota.
Uma trilha comum, trilhada com passos únicos.
Todos no mesmo barco, cada um no seu próprio oceano.